O consumo de substâncias psicoativas em adultos emergentes e a relação com os maus-tratos infantis, vinculação e impulsividade

Abstract

O consumo de substâncias psicoativas é uma das áreas de investigação e intervenção que tem reunido maior interesse científico, sendo que os adultos emergentes (18-25 anos) são a população que apresenta maiores níveis de consumo (com maior prevalência nos indivíduos que frequentam o Ensino Superior). Após revisão da literatura, identificaram-se fatores pessoais (impulsividade e busca de sensações) e fatores familiares (maus-tratos infantis e vinculação) que aumentam o risco de substâncias psicoativas, tendo este estudo o objetivo de analisar as relações existentes entre estes fenómenos. Para responder às questões de investigação formuladas, desenvolveu-se um questionário online que reúne os seguintes instrumentos: BIS-11, BSSS-V, PBI, CTQ-SF e ASSIST. A amostra final é constituída por 613 adultos emergentes portugueses a frequentar o Ensino Superior. Concluiu-se que vítimas de abuso físico apresentam níveis superiores de consumo de tabaco, canábis e cocaína, enquanto as vítimas de negligência (emocional e física) apenas registam consumos superiores de tabaco e canábis. Quanto ao risco de substâncias psicoativas, os participantes com nível de risco moderado de tabaco, álcool, canábis e cocaína pontuam mais alto em relação à impulsividade e à busca de sensações. Relativamente à vinculação com mãe e pai, os participantes com níveis de risco moderado de tabaco, canábis e cocaína apresentam níveis inferiores de cuidado e níveis superiores de hiperprotecção; enquanto os participantes que se situam num nível de risco moderado de álcool apenas pontuam mais alto para as escalas de hiperprotecção. Discutem-se as limitações deste estudo e apresentam-se linhas de orientação para investigações futuras

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