O termo 'compromisso' é lugar-comum de todos grupos da comunidade de arquitectos.
Dos activistas aos starchitects, dos teóricos aos burocratas tecnocráticos, todos o
mobilizam para os seus fins. Este termo introduz uma qualidade pacificadora, capaz
de permitir as aspirações de alguns e de acalmar as indignações de outros. A ideia de
compromisso está em crise a partir do momento em que ganha uma aura de indefinição,
tornando-se inútil em debate. Enquanto somatório de um processo de negociação
entre várias partes, qualquer resultado de uma disputa está hoje em dia apto a
receber o nome de compromisso. Num pleito, a parte que conquista o maior número
de objectivos a que se predispôs exerceu a sua autoridade na contenda.
O arquitecto é negociador deste choque de autoridades, hierarquizando-as - em consciência
ou não - através do projecto. Compreender a forma como estas se derivam e
são mobilizadas passa por investigar a origem deste tipo de poder em arquitectura
(II. Autoridade e as Narrativas), o modo como este é transmitido no tempo (III.
Autoridade e Tradição) e o papel da separação de pólos de conhecimento na sua manutenção
(IV. Autoridade e Constituição Moderna). A separação da autoridade da ideia
autor (V. Autoridade e Autor) é a chave sintetizadora deste problema no processo de
criação, capacitando-nos para escrutinar acontecimentos sob a lente do compromisso.
Estes são organizados num Mapa Pessoal de Transgressões.
A Casa Burguesa do Porto é fruto de uma tradição liberal com vários séculos de experiências
e na última década foi alvo de um tipo de re-apropriação que tem por base
o nicho turístico que a cidade do Porto ainda conhece. O projecto para a reabilitação
de uma destas casas será o nosso guia para o itinerário de estudo.
Esta dissertação tem como ambição desmesurada o resgate do compromisso para o
debate útil em arquitectura, distinguindo-o da a sua presente aura nebulosa. O elenco
dos instrumentos que o novo compromisso oferece formulam uma lógica para a
aproximação às circunstâncias através do desenho.The word 'compromise' is a common-place for all the groups that build up our
architectural community. From activists to starchitects, from theoreticians to technocratic
bureaucrats, all are keen to mobilize 'compromise' to their ends. This term
introduces a certain aura of appeasement, compelling in itself to both allow for the
aspirations of some and relieve the indignations of others. The idea of compromise
is in crisis since this aura of ambiguity renders it useless in a debate. As an outcome
of a process of negotiations between different parts, any result is able to be called
a compromise nowadays. In an argument, the part achieving the largest number of
goals is said to have enforced its authority.
The architect is negotiatior of this shock of authorities, providing hierarchies through
the project - whether he realizes it or not. The understanding of how these authorities
are mobilized entails the investigation on the origins of this type of power in
architecture (II. Authority and the Narratives - Autoridade e as Narrativas), the manner
in which it is passed on through time (III. Authority and Tradition - Autoridade
e Tradição) as well as the role of the clear estrangement of areas of knowledge in its
maintenance (IV. Authority and the Modern Constitution - Autoridade e Constituição
Moderna). The separation of authority form the idea of author (V. Authority and Author
- Autoridade e Autor) provides a synthesis of this problem in the creation process,
enabling us to scrutinize events under the standpoint of compromise. These are organized
under a Personal Map of Transgressions (Mapa Pessoal de Transgressões).
The Porto Bourgeois House is the fallout of a liberal tradition with several centuries
of experiences. In recent years, it has been the target of a kind of re-appropriation
based on the economic miracle of tourism - a phenomena the city is still going
trough. The project of refurbishment of one of these houses will be our guide in
this itinerary.
This dissertation has one disproportional (and rather naïve) ambition: retrieving
compromise for a practical debate in architecture, distinguishing it from its current
misty aura. The cast of instruments our new compromise provides assemble a logic
of approach towards circumstance through design