A promoção do uso racional do medicamento é fundamental para assegurar a eficácia terapêutica e minimizar os riscos. É considerável o número de utentes que não compreende o tratamento prescrito, muitas vezes por ausência de informação verbal e/ou escrita aquando da consulta médica e dispensa na Farmácia, o que resulta em grandes dificuldades para uma correta terapia medicamentosa, levando à ineficácia do tratamento. Determinar a perceção do conhecimento sobre a terapêutica medicamentosa a realizar, após consulta médica e após dispensa na Farmácia, e identificar fatores relacionados. Este estudo transversal e descritivo-correlacional, obteve-se uma amostra de 150 utentes de centros de saúde e farmácias do norte de Portugal, 64,0% do sexo feminino e 36,0% do sexo masculino, com idades entre 18 e 90 anos (média de 57,1). foi aplicado um questionário de autopreenchimento, incluindo a escala de classificação da perceção do conhecimento (Frohlich, 2010). Na análise dos dados foi utilizada estatística descritiva e o teste t-Student, com nível de significância de 5%. A perceção do conhecimento sobre a terapêutica medicamentosa dos utentes é insuficiente tanto após dispensa na farmácia (70,7%) como após a consulta médica (70,7%), só uma minoria dos utentes tiveram um bom conhecimento após consulta médica (5,3%) e após dispensa na farmácia comunitária (2,7%). Das questões realizadas as que obtiveram nível de conhecimento mais baixo foram as relacionadas com o esquecimento de uma ou mais doses, as interações com medicamentos ou alimentos e os efeitos secundários. Não foram verificadas diferenças entre a perceção dos utentes da farmácia e da consulta médica (p=0,191), provavelmente devido ao limitado tamanho da amostra. Contrariamente ao esperado, a escolaridade não está associada à perceção do conhecimento sobre a terapêutica (centro de saúde p=0,842; farmácia p=0,307). A perceção do conhecimento da terapêutica medicamentosa é insuficiente, tanto após consulta médica e como após dispensa na farmácia. Não se encontraram diferenças entre a perceção do conhecimento entre os utentes de centros de saúde e de farmácias, provavelmente devido à dimensão limitada da amostra. A escolaridade não parece estar associada com a perceção do conhecimento sobre a terapêutica medicamentosa