A comunicação “O desenvolvimentoda sensibilidade estética na infância - uma história de vida”, representa o breve apontamento de uma infância vivida na primeira pessoa, numa aldeia isolada de Trás-os-Montes e pretende responder fundamentalmente a dois objectivos:
-Mostrar de que forma se experienciou e foi concebendo o mundo no seio de uma família essencialmente masculina.
-Reflectir sobre a forma como as vivências infantis influenciaram o desenvolvimento da sensibilidade estética.
Tornamo-nos mais frágeis quando falamos de nós, mas é por esta via que inevitavelmente me assumo como ré, testemunha e juiz da minha própria infância que, não sendo generalizável a outras infâncias, se constitui como ponto de partida para reflexão sobre o tema. Cada um de nós teve uma infância, um marco importante na existência.
Abri a gaveta da cómoda e algumas fotografias já amarelecidas pelo tempo espicaçaram as memórias que esse tempo não apagou. Foi o tempo da casa de colmo da avó, a chegada da Pantera Cor de Rosa a preto e branco, o tempo dos moinhos de água, o tempo das histórias de bruxas e lobos, o tempo de “carrar” água da fonte, apanhar batatas e bagos, o tempo de costurar e brincar, que fizeram desta infância uma existência feliz.
Ao longo da apresentação, o sentido que dou às palavras é o dos sentimentos e emoções que me ligam às imagens da infância, aos factos e aos acontecimentos, às pessoas e aos objectos, à vida e à terra. É desta forma que vou expondo uma face oculta que todos os dias crepita em mim, que me ajuda a conhecer melhor, que me anima e me permite entender que, pela via da identidade cultural e da realidade familiar vivida, a aprendizagem estética, componente natural e inata ao Homem, depende de todas as outras experiências de vida e de aprendizagem