O processo de produção de leite bovino vem em crescente aumento, sendo a agropecuária a 6a atividade com maior incidência de acidentes de trabalho que causam incapacidade permanente. A Escola Postural Breve (EPB) serve para fornecer orientações sobre a adequada adoção de posturas de forma a reduzir o desenvolvimento de dores musculoesqueléticas, sendo relevante, portanto, avaliar se este tipo de intervenção terapêutica possui influência sobre esses parâmetros. Nesta perspectiva, o presente trabalho teve por objetivo verificar os efeitos de uma EPB na qualidade de vida (QV), na percepção de dor, na ergonomia e em desvios posturais da coluna vertebral no plano sagital em ordenhadores no Vale do Taquari/RS. A pesquisa é caracterizada como experimental e teve como sujeitos ordenhadores que residiam no Vale do Taquari/RS. A avaliação foi constituída pelo preenchimento de um questionário demográfico e profissional contendo dados pessoais e profissionais, do questionário WHOQOL-bref para avaliar a QV, da avaliação postural das curvaturas da coluna vertebral por meio do cifolordômetro, e da avaliação da ergonomia pelo método Ovako Working Posture Analysis System (OWAS). Após a coleta de dados, os sujeitos foram alocados de forma randomizada em dois grupos: GE, que é o grupo da Educação Breve; e GC, que recebeu uma cartilha informativa com informações importantes sobre postura. Os incluídos no GE participaram de uma única intervenção, onde foram fornecidas informações sobre a adoção de adequadas posturas estáticas e durante o processo de ordenha. Todos os participantes foram avaliados no início do estudo e após 4 semanas da sessão de intervenção. A análise estatística foi realizada no software BioEstat (5.3), sendo primeiramente avaliada a normalidade dos dados pelo teste Shapiro-Wilk. A estatística descritiva foi utilizada para medidas de tendência central e de dispersão, e os testes t e Mann-Whitney para comparação intra e intergrupo. Não foram encontradas diferenças entre o GC e GE para as variáveis angulares de curvatura torácica e lombar, para ergonomia e para QV. Quando comparados os ordenhadores que realizavam a ordenha de forma manual com os que a realizavam de forma mecânica, foram encontradas diferenças significativas para o posicionamento das pernas (U = 1,9601; p=0,0250), peso carregado pelo trabalhador (U = 2,1653; p=0,0152) e pontuação final (U = 1,9145; p=0,0278). Dessa forma, conclui-se que não há diferença entre o GC e o GE após uma intervenção pela Escola Postural Breve