A agricultura itinerante é um tipo de sistema agrícola primitivo, adotado
historicamente nos ecossistemas de florestas tropicais, em que o ser humano
faz o corte da floresta, queimando os resíduos como preparação da terra para a
cultura. A produção de alimentos é feita por 2 a 3 anos e, posteriormente, a área
é abandonada, tornando-se improdutiva. Muitas vezes, nos terrenos abandonados
estabelece-se a floresta secundária, podendo voltar a ser utilizados para o cultivo
cerca de dez a vinte anos depois. Em Timor-Leste, a agricultura itinerante ainda é
praticada como forma de agricultura de subsistência. Com este trabalho pretendemos
caracterizar a agricultura itinerante em Timor-Leste e relevar a sua importância
socioeconômica para as populações rurais do território, identificar os seus impactos
na sustentabilidade ambiental dos ecossistemas e referir as soluções para minorar os
seus efeitos negativos. A metodologia utilizada baseou-se na recolha de informação
bibliográfica relevante sobre o tema e na realização de um inquérito por questionário
a agricultores itinerantes do subdistrito de Atabae, distrito de Bobonaro. Este
questionário caracterizou a agricultura itinerante e ouviu a opinião dos agricultores
sobre os efeitos da mesma. A agricultura itinerante de hoje em Timor-Leste destinase
essencialmente às culturas de horta. Os materiais resultantes do derrube e corte
da floresta são usados para lenha, vedações e materiais de construção. Os impactos
negativos sobre os bens e serviços produzidos por florestas são sentidos através das
mudanças na precipitação, erosão, mudanças climáticas, diminuição do número de
animais selvagens, e das plantas e produtos colhidos nas florestas