A partir dos anos 1970, uma parte da Amazônia oriental brasileira vem sendo objeto de forte intervenção estatal que incide diretamente sobre as formas históricas de apropriação e de uso da terra. Neste particular destacam-se, inicialmente, os projetos de infraestrutura (energia e transportes) e, posteriormente, políticas de regularização fundiária, de crédito subsidiado para a agricultura camponesa, bem como políticas de inclusão social e ao mercado. Tratam-se de ações e políticas públicas que operam sobre um mesmo território com distintos paradigmas de desenvolvimento e que resultam em um amplo processo de transformação das relações sociais e territoriais. Estudo realizado no "Território Baixo Tocantins" evidencia como estas intervenções incidem sobre as relações sociais, econômicas e políticas locais, mobilizam e constroem grupos de atores, constituem novas legitimidades e demandas e definem novos territórios e territorialidades. A metodologia, baseada em dados secundários, consistiu na análise das políticas de regionalização/territorialização e das dinâmicas socioeconômicas. Este território é objeto de forte aumento da população, simultaneamente a importantes mudanças ambientais (erosão fluvial; monocultivos para a produção de biodiesel; exploração madeireira; desmatamento; indústrias minerais eletrointensivas, por exemplo). Constatamos transformações na dinâmica socioeconômica, ancorada em processos de expropriação da terra e de recursos. O contexto do território mostra que as dinâmicas sociais e os problemas socioambientais não se devem nem a problemas técnicos, nem a escolhas societais apenas negociadas localmente, mas, sobretudo, a políticas públicas gestadas além-território. (Résumé d'auteur