A terapêutica antidislipidémica redutora do
colesterol é um paradigma da melhor
aplicação da evidência científica na prática
clínica. Face às opções disponíveis, é
fundamental que as estatinas tenham um
perfil claro de segurança e tolerabilidade e
uma relação de benefícios e risco favorável.
A terapêutica intensiva do colesterol não
está associada a consequências deletérias,
dependentes da maior eficácia, ou a efeitos
laterais graves.
As estatinas não são hepatotóxicas. A
flutuação enzimática é um fenómeno
corrente na dislipidemia. O risco de
aumento das transamínases está directa e
intimamente relacionada com a dose (e com
o tipo de estatina usada). Alterações pouco
importantes do perfil hepático basal não são
uma contra-indicação ao seu uso (doentes
com um risco cardiovascular justificável). A
monitorização iterada do perfil hepático não
está justificada. A causa da miotoxicidade
com as estatinas não está devidamente
esclarecida. O risco de miopatia ou
rabdomiólise não tem relação com a redução
percentual ou absoluta do LDL-C (nem com
o valor de LDL-C alcançado).
Os efeitos adversos das estatinas podem
depender das características físico-químicas
da molécula e das suas características farmacocinéticas. Numa estratégia de
farmacovigilância, o doente tem também
uma palavra. A partilha de propósitos obriga
o doente a responsabilidades partilhadas
com a sua Equipa de Saúde, motivadoras de
tratamentos mais seguros e de melhor
prevenção cardiovascular. Aperfeiçoar o
ingresso em programas de Saúde de
qualidade e aprimorar o tratamento e os
objectivos alcançados são as razões que
devem fundamentar a terapêutica e a
redução efectiva intensiva das
dislipidemias