Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde de Viseu
Abstract
Enquadramento: A satisfação profissional, nas últimas décadas, tem sido considerada crucial na
melhoria do desempenho das organizações e pela influência que tem sobre o trabalhador. A
satisfação influencia a saúde física e mental, as atitudes, o comportamento profissional e social, com
repercussões na vida pessoal, familiar e laboral. Mudanças socioeconómicas e laborais têm sido
responsáveis por um desgaste físico e mental dos enfermeiros, com consequências na satisfação
profissional e com reflexo na qualidade dos cuidados prestados e bem-estar individual.
Objetivos: Avaliar a satisfação profissional dos enfermeiros e identificar variáveis sociodemográficas
e profissionais que influenciam a satisfação profissional.
Métodos: Realizámos um estudo transversal com 192 enfermeiros de um hospital da região centro
do país. A média de idades dos profissionais foi de 39.32 ±7.99 anos, a maioria do sexo feminino
(75,5%), a viver na cidade, casado, com a categoria de “enfermeiro”, a desempenhar funções de
prestação de cuidados em horário rotativo, com um contrato de trabalho de funções públicas e a
exercer a profissão há 15.96 ±7.54 anos. Para a recolha de dados utilizámos um questionário com
questões para avaliação das características sociodemográficas, profissionais e para avaliar a
satisfação profissional utilizámos a Escala de Satisfação Profissional (Pereira, 2010).
Resultados: A maioria dos enfermeiros referiu insatisfação profissional (53.65%). Os enfermeiros que
apresentam índices superiores de satisfação profissional pertencem ao género masculino (p=0,002).
A variável género é aquela que influencia o maior número de dimensões da satisfação profissional.
Não encontrámos diferenças significativas entre a satisfação profissional e a idade (p=0,923) nem
com a relação conjugal (p=0,892). Nas variáveis profissionais também não encontramos diferenças
significativas com categoria profissional (p=0,410), o exercício de funções de gestão (p=0,542 e o tipo
de horário (p= 0,193).
Conclusões: Mais de metade dos enfermeiros apresentou insatisfação profissional, sendo o sexo
feminino o mais insatisfeito. Emerge assim a necessidade da implementação de estratégias
interventivas, no sentido da melhoria da satisfação profissional dos enfermeiros