Este ensaio procura chamar atenção para a responsabilidade da avaliação no enfrentamento da atual situação de crise em que se encontram as políticas públicas, inclusive quando voltadas para a contenção da expansão da pandemia de Covid-19, em um contexto de crescimento político da ultradireita no país. O texto está estruturado em cinco passagens, que apresentam uma posicionalidade em defesa do papel da avaliação como resposta potencial e necessária aos movimentos de esvaziamento da dimensão política nos processos de gestão das políticas públicas: do desamparo público à perda do público; da perda do público à crescente rede de valores antidemocráticos; da rede de valores antidemocráticos às armadilhas do gerencialismo despolitizado; do gerencialismo despolitizado à avaliação em políticas públicas; e, por fim, fazendo o caminho de volta: da avaliação em políticas públicas ao enfrentamento do gerencialismo despolitizado, dos valores antidemocráticos e do desamparo público, por meio de uma posicionalidade axiológica. As conclusões apontam para a necessidade de construção de uma agenda de pesquisa para a avaliação que promova a reflexividade como um estímulo para novos e necessários exercícios de posicionalidade por parte das avaliadoras e avaliadore