Os propósitos deste texto são dois: num primeiro
momento, descrever e comparar a renovação das
Políticas de Segurança e Defesa da Grã‑Bretanha e
da França através da leitura dos respectivos Livros
Brancos, há pouco tempo apresentados e publi‑
cados; num segundo momento pretende‑se dis‑
secar alguns dos traços fundamentais do processo
de renovação das políticas e das estratégias de
segurança, distinguindo alguns dos conceitos ba‑
silares e algumas das traves de inovação sobre os
quais se sustentam as futuras Políticas de Segu‑
rança e Defesa. Os Livros Brancos da Grã‑Bretanha
e da França, pese a sua configuração de apresen‑
tação distinta e a existência de fórmulas concep‑
tuais diferenciadas, assemelham‑se bastante,
quanto aos cenários que tratam, assim como
quanto às formas de resposta aos riscos e ameaças,
às crises com que ambos os países julgam que
terão, no porvir, de defrontar‑se. É o inovador
universo conceptual de risco, entendido como
a possibilidade de se desenvolver uma ameaça
decorrente da contingência do devir, que municia
as estratégias de segurança nacional. Se a estra‑
tégia irrompe da necessidade de combinar várias
vertentes integradas e encadeadas, com vista a
replicar às ameaças que o porvir poderá, no seu
devir, potenciar. Neste sentido, ambos os livros
brancos repetem a necessidade de combinar a
utilização da força armada e do desenvolvimento
na edificação da segurança no século XXI