Passados mais de dez anos sobre o fim da
Guerra Fria e contando com alguns anos de
experiência das iniciativas de diálogo euro/
/atlântico-mediterrânicas, pode-se com rigor
concluir que o ambiente de incerteza e de insegurança
na bacia mediterrânica se dissipou?
Dificilmente. O novo contexto internacional do
pós-11 de Setembro, veio sublinhar a importância
da cooperação euro-mediterrânica. Não
existe uma identidade de segurança no Mediterrâneo
e, assim, as possibilidades de criação
e sustentabilidade de um regime de segurança
cooperativo e multilateral são fracas. Na vertente
da segurança, o Processo de Barcelona,
tornou-se apenas numa estrutura de diálogo,
informação e transparência, um mecanismo
gerador de confiança sistémica. No processo, foi
reduzida ao mínimo denominador comum
e esvaziada das potencialidades para acções
de prevenção de conflitos e de gestão de conflitos