A União Europeia e a NATO têm por via de regra sido estudadas
como se de entidades totalmente separadas uma da outra se
tratassem. Há muitas razões óbvias para esta perspectivação delas
enquanto instituições separadas. No entanto, e tal como o sugerem
os timings das suas respectivas gestações, as motivações para elas
aduzidas, a aparente coordenação das inflexões a que ambas têm
estado sujeitas, e as direcções e âmbitos dos seus processos de
alargamento, em muitos planos trata-se de instituições melhor
concebidas em conjunto. Efectivamente, nenhuma delas é capazmente
conceptualizável fora do contexto da ligação transatlântica
forjada no pós-1945 entre alguns Estados europeus e os EUA. Num
plano analítico mais abrangente, é defendido, que a NATO e a
União Europeia devem ser pensadas como sendo, desde a primeira
hora, duas parcelas de um processo em curso de “constitucionalização”
supraestadual. Numerosos analistas têm vindo a insistir
nas atitudes “venusianas” geradas no Paraíso kantiano europeu,
sublinhando a articulação tácita destas com a postura mais belicosa
dos norte-americanos, embrenhados como estes estão em
fazer frente, em nosso nome e no seu próprio, a um Mundo
marcadamente hobbesiano. Dando mais um passo nesta mesma
direcção, o presente artigo argumenta que é com efeito apenas em
termos deste enquadramento que se torna inteligível tanto o moroso
subdesenvolvimento da política externa e de segurança comum
comunitária (a PESC) quanto o surto notável e o comparativo
florescimento da cooperação europeia nos âmbitos da justiça e
assuntos internos (a cooperação JAI). Nestes contextos, é delineado
a traço grosso um rastreio dos processos de formação de um
“eixo franco-alemão” em contraposição com a sedimentação de um
“eixo anglo-americano”, tanto no quadro da evolução da NATO
como no da UE