p. 219-233Uma das grandes questões no domínio da pesquisa
sobre a aquisição da leitura é a de perceber porque
é que para algumas crianças é tão fácil aprender a
ler, independentemente do método de ensino utilizado,
enquanto que para tantas outras, ainda que
contempladas por estratégias específicas e com
acesso a recursos diferenciados, o domínio de tal
competência se assume como uma barreira insuperável.
Uma análise de trabalhos relativos à aprendizagem
inicial da leitura permite verificar a relação
intrínseca entre o (in)sucesso do domínio da
modalidade escrita da língua e três eixos específicos:
desenvolvimento da linguagem oral da criança
(sobretudo no campo lexical e sintáctico); capacidade
de reflexão implícita sobre a estrutura e funcionamento
da sua língua materna (consciência
fonológica, lexical e sintáctica); e contacto prévio
com instrumentos de leitura antes do ensino formal
da mesma (Sim-Sim, 1997).
Por outro lado, e no que diz respeito à realidade
nacional, não é ainda possível encontrar instrumentos,
validados para a população portuguesa,
que permitam aferir a competência leitora da
criança após um primeiro ano de ensino explícito,
formal, da leitura que permitam situá-la relativamente
às restantes crianças suas pares, em situações
iniciais de aprendizagem análogas, e que, de
acordo com o defendido para a Língua Portuguesa
pelo Currículo Nacional do Ensino Básico
(1997), correspondem às competências específicas
relacionadas com o domínio da leitura e da escrita,
em final de 1º ano de escolaridade do ensino
básico.
Assim, julga-se de crucial importância o desenvolvimento
de instrumentos que possam contribuir
para uma avaliação da competência leitora de
crianças sujeitas a um primeiro ano de ensino
explícito, em contexto formal de aprendizagem, de
forma a aferir se o processo de descodificação, processo
central na passagem ao processo de compreensão
da leitura, se encontra perfeitamente
automatizado