Arte e Técnica são, para Heidegger, modos do acontecer da verdade. Entre o «pôr-se em obra» ou epifania da verdade na arte e o «com-pôr» controlador (Ge-stell) do seu mostrar-se na época da tecnologia avançada, em que domina a forma de relação «meramente técnica», põe-se a descoberto a história do ser no mundo ocidental. O presente estudo percorre fenomenologicamente este percurso histórico, detendo-se nos seus momentos fundamentais, e defende que, ao contrário da habitual demonização da técnica, Heidegger sublinha o seu carácter jânico, no caminho recuperador da origem, mediante a criatividade, não controladora, do possível. Esta via poiética, que requer o pensar (e não já a mera filosofia), seria a proposta capaz de recuperar a abertura ao que o último Heidegger, em palavras de Hölderlin, chamou as 4 regiões do ser: o mortal e o divino, o terreno e o celestial. A arte de Paul Klee é, neste sentido, analisada, bem como o pensar poético de Sófocles, Hölderlin e Nietzsche