A formação de alianças de base tecnológica conheceu um incremento notável nas décadas de 1980 e 1990, representando actualmente uma estratégia empresarial importante de acesso ao conhecimento tecnológico, fortemente incentivada pela generalidade dos países da OCDE. A literatura sobre alianças realça as enormes vantagens mútuas que podem resultar da cooperação tecnológica bem sucedida. Raramente, porém, são abordados empiricamente os problemas específicos da participação de PMEs em alianças de I&D, e menos ainda quando essas empresas pertencem a sectores tradicionais e têm limitações evidentes para participar em alianças de I&D. Este trabalho aborda esta problemática no quadro da participação de PMEs portuguesas no programa europeu CRAFT (1994-98). Os resultados indicam que o empenhamento dos parceiros, os aspectos culturais e a falta de recursos internos representam os aspectos mais negativos da cooperação. Isto é, em grande medida, consequência das condições iniciais que estiveram na génese das alianças mas a estrutura das alianças também é importante. As PMEs portuguesas ficaram, em geral, satisfeitas com os benefícios obtidos mas o sucesso técnico da aliança não garante que as empresas tenham condições para materializar os benefícios potenciais gerados no âmbito da aliança