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Evolução Recente da I&D Empresarial em Portugal – Traços Incertos de Maturidade

Abstract

O investimento em I&D em Portugal conheceu um incremento notável em meados da última década, nomeadamente a I&D empresarial e a I&D no ensino superior. Esta evolução singular carrega a esperança de ultrapassar dois problemas estruturais do investimento em I&D em Portugal: escasso investimento global em I&D, por um lado, e fraco peso relativo da I&D empresarial, por outro. O investimento empresarial em I&D em Portugal ficou aquém do objetivo de 2% almejado pela Comissão Europeia para 2010, mas ficou próximo do objetivo de 0,8% do PIB definido no Plano Tecnológico em 2005. Não era expectável, contudo, um crescimento tão acentuado da I&D empresarial face à evolução histórica deste indicador e da taxa média de crescimento necessária para atingir aquele objetivo. O investimento em I&D foi acompanhado por um crescimento igualmente acentuado do número de investigadores ETI que, entre 2005 e 2010, duplicou nas empresas, quase triplicou no ensino superior e superou a média da OCDE. São taxas de crescimento muito elevadas face à evolução histórica destes índices, e surpreendentes face à disponibilidade de recursos humanos qualificados e pela mudança repentina face à média da OCDE. Este artigo analisa o contexto da evolução inesperada destes indicadores e discute a coexistência de sinais de maturidade e de debilidade estrutural em quatro áreas relevantes, e avalia até que ponto isso representa uma mudança consolidada no investimento em I&D em Portugal e na importância relativa das empresas enquanto setor executor de I&D. Daqui emerge a imagem dum setor empresarial com aparente motivação para investir mais em I&D, que aproveitou os incentivos públicos disponíveis, mas ainda sem confiança (ou meios) suficiente para consolidar essa estratégia com autonomia

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