Na literatura contemporânea da Epistemologia da memória existe o debate entre preservadorismo e gerativismo. A primeira posição indica que à memória cabe apenas preservar o conhecimento ou a justificação epistêmica gerada em outras fontes no passado. A segunda defende que a memória é sim capaz de gerar crenças com status epistêmico positivo, chegando em algumas ocasiões a estar em pé de igualdade com a experiência perceptiva. Nesta oportunidade, trago argumentos que favorecem o gerativismo. Começo circunscrevendo este debate como centrado no papel epistêmico da memória. Delimito, então, alguns destes papéis a partir das teorias propostas, e procuro argumentar em favor da ausência de um elemento relevante para o devido entendimento do papel epistêmico desta capacidade. Por fim, defendo que o fenômeno da atenção é essencial para esta lacuna, e que sua inserção favorece teorias de cunho gerativista. O papel epistêmico da memória defendido, ao final, é o de permitir a inserção bem-sucedida de um conteúdo do passado no presente contexto