'Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Edicoes UESB'
Abstract
Propõe-se pensar a autoficção a partir da recepção de Histoire de la violence, romance em que o escritor Edouard Louis relata um estupro sofrido por ele. Após a publicação, o autor foi processado por atentado à vida privada pelo próprio estuprador. Ao expor seu trauma de forma literária, mas mantendo-se fiel à história (incluindo os nomes reais), Louis não só causou a fúria de uma pessoa real, algo típico da autoficção na França, como trouxe à tona a violência silenciosa sofrida por homossexuais, inclusive quando decidem denunciá-la. E o fez em um livro carregado de análise sociológica, como já fizera em En finir avec Eddy Bellegueulle. Ambos nada lembram certa queer literature de cunho “maldito”, de Genet a Dustan. Em Louis, a provocação não está no estilo, mas na suposta veracidade do relato. A partir da recepção, sobretudo na imprensa, tenta-se delinear a maneira como a violência contra o homossexual (estética e eticamente) é recebida quando denunciada sob a égide da autoficção.