A reconstrução mamária após o câncer de mama emerge como componente essencial do cuidado integral, dada a elevada incidência da doença e o impacto emocional decorrente da mastectomia. Em um cenário marcado por desigualdades de acesso, sobretudo na América Latina, a demanda por intervenções que restauram não apenas a anatomia, mas também a integridade subjetiva das pacientes, tem aumentado progressivamente. A literatura demonstra que a reconstrução exerce influência direta sobre autoestima, imagem corporal, sexualidade, ansiedade, depressão e qualidade de vida, configurando-se como instrumento de reabilitação física e emocional. O procedimento, seja imediato ou tardio, funciona como mediador simbólico da recomposição identitária, reduzindo a sensação de perda e favorecendo a reintegração psicossocial. Técnicas autólogas tendem a proporcionar maior naturalidade e estabilidade estética, enquanto implantes oferecem recuperação mais rápida, porém com maior risco de complicações que podem afetar o bem-estar emocional. A escolha do método deve considerar fatores clínicos, culturais e psicológicos, e a decisão compartilhada aparece como elemento fundamental para alinhar expectativas e reduzir sofrimento. A literatura indica que suporte social robusto, histórico psiquiátrico favorável e comunicação clara com a equipe de saúde modulam positivamente a adaptação emocional. Por outro lado, complicações cirúrgicas, revisões e insatisfação estética estão associadas ao aumento de ansiedade e frustração. Apesar dos avanços técnicos, persistem lacunas metodológicas importantes, especialmente a heterogeneidade dos instrumentos utilizados para medir desfechos psicológicos, o que limita comparações e dificulta conclusões uniformes. Estudos longitudinais também são escassos, sobretudo na avaliação do impacto emocional sustentado em diferentes técnicas reconstrutivas. Diante desse panorama, torna-se evidente que a reconstrução mamária transcende a dimensão estética e se consolida como intervenção essencial para a recuperação ampliada, exigindo abordagem multidisciplinar, comunicação qualificada e maior rigor metodológico na produção científica