AIMS: To describe the epidemiological and clinical aspects of the spider accidents reported at the Center for Toxicological Information of the State of Goiás. To compare and contrast the data of description and evaluation of the clinical picture and use of specific serum with the recommendations of the Ministry of Health and the medical literature.METHODS: The data were collected using the report notes of the Center for Toxicological Information of the State of Goiás. The data on the urban expansion were obtained at the Brazilian Institute of Geography and Statistics and through Landsat satellite images.RESULTS: In the period of this study the spider accidents in the State of Goiás represented 15,91% of the accidents with venomous arthropods, with a total of 659 cases. The two micro regions with the highest occurrence of cases were Goiânia, with 305 cases (46,28%) and the surroundings of Brasília, with 69 cases (10,47%). There was a higher incidence in the 20 to 39 years age group. The most common region of accident was the foot. The time interval between accident and first medical care, in the majority of the cases, was between one and three hours. Pain was the prevailing symptom, which might be associated with edema, hyperemia and paresthesia, which together with vagal symptoms determine the gravity of the accident. In 214 cases serum therapy was used, and the type of serum was informed in 83.17%. There was use of excessive number of serum ampoules according to the Ministry of Health recommendations in 98,87% of the cases in which these data could be recovered. Among the notified cases, 89,37% evolved to cure. The data did not indicate the spider genus that caused the accidents.CONCLUSION: These results indicate that the prevalence of spider accidents is linked to the urban expansion. In general the treatment was satisfactory, with high rate of cure and absence of deaths. There was an unnecessary use of serum and an incorrect number of ampoules in many cases. These data suggest a detachment from the recommendations of the Ministry of Health, which possess clear protocols, from identification of the spider to use of serum according to the gravity of the case.OBJETIVOS: Descrever os aspectos epidemiológicos e clínicos dos acidentes com aranhas reportados ao Centro de Informações Toxicológicas do Estado de Goiás. Comparar e contrastar os dados de descrição e avaliação do quadro clínico e uso do soro específico com as recomendações do Ministério da Saúde e da literatura médica.MÉTODOS: Para a coleta de dados foram utilizadas as fichas de notificação do Centro de Informações Toxicológicas de Goiás. Os dados sobre a expansão urbana foram obtidos no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e através de imagens de satélite Landsat.RESULTADOS: No período estudado, o araneísmo no estado de Goiás correspondeu a 15,91% dos acidentes com artrópodes peçonhentos, totalizando 659 casos. As duas microrregiões com maior ocorrência foram Goiânia, com 305 casos (46,28%) e Entorno de Brasília, com 69 (10,47%). Houve um acometimento maior dentro da faixa etária de 20 a 39 anos. A região mais comum da picada foi o pé. O intervalo entre acidente e atendimento, na maioria dos casos, foi de uma a três horas. A dor foi o sintoma mais prevalente, podendo estar associada a edema, hiperemia e parestesia que, juntamente com sintomas vagais, determinaram a gravidade do acidente. Em 214 casos foi usada soroterapia, sendo informado o tipo de soro em 83,17% dos mesmos. Houve uso de número excessivo de ampolas de soro de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde em 98,87% dos casos em que o dado pôde ser levantado. Dos casos informados, 89,37% evoluíram para a cura. Os dados não indicam o gênero da aranha que foi agente causal dos acidentes.CONCLUSÕES: Os resultados indicam que a prevalência do araneísmo está ligada ao processo de expansão urbana. O tratamento foi em geral satisfatório, com alto índice de cura e inexistência de óbitos. Houve uso desnecessário de soro e de um número incorreto de ampolas em muitos casos. Os dados sugerem um distanciamento das recomendações do Ministério da Saúde, que possui protocolos claros, desde a identificação da aranha até o uso de soro conforme a gravidade do caso