research article

Toxoplasmose congênita: evolução da função auditiva e da linguagem em crianças diagnosticadas e tratadas precocemente

Abstract

AIMS: To describe the auditory and language outcomes of children with early diagnosis and treatment for congenital toxoplasmosis. METHODS: A cross-sectional study included all children diagnosed with congenital toxoplasmosis, through the Minas Gerais State Neonatal Screening Program, from September 2006 to March 2007. All children received early treatment, initiated before the age of 2.5 months, and were periodically assisted by a team of specialists including pediatricians, ophthalmologists and speechlanguage therapists and audiologists. Hearing function was evaluated with the following procedures: tympanometry, transient evoked otoacoustic emissions, distortion product otoacoustic emissions, behavioral observation audiometry, and brainstem auditory evoked potentials. Hearing function and sensitivity was estimated and audiological results were classified as normal, conductive hearing loss, sensory-neural hearing loss and central dysfunction. Language performance was assessed and classified as normal or abnormal, according to test results. The following variables were studied: audiological results, neurological and ophthalmological conditions, language performance and presence of risk indicator for hearing loss other than congenital toxoplasmosis. Univariate analysis was conducted using the chi-square or Fisher´s Exact test. RESULTS: From September 2006 to March 2007, 106 children were diagnosed with congenital toxoplasmosis through the neonatal screening program, and were included in the study. Data analysis showed normal hearing in 60 children (56.6%), while 13 children (12.3%) had conductive hearing loss, four children (3.8%) had sensory-neural hearing loss and 29 children (27.4%) presented central hearing dysfunction. There was association between hearing problems and language deficits. The comparison between children with additional risks for hearing loss other than toxoplasmosis and children who only presented toxoplasmosis as a risk factor showed no differences. This finding suggests that audiological problems were due to congenital toxoplasmosis alone. CONCLUSIONS: Even with early diagnosis and treatment, a high prevalence of hearing problems and language delays was observed in children with congenital toxoplasmosis.OBJETIVOS: descrever a evolução audiológica e de linguagem em crianças com toxoplasmose congênita diagnosticada e tratada precocemente. MÉTODOS: um estudo transversal descritivo incluiu todas as crianças diagnosticadas com toxoplasmose congênita pelo Programa Estadual de Triagem Neonatal de Minas Gerais entre setembro de 2006 e março de 2007. Todas as crianças foram submetidas ao protocolo de tratamento com pirimetamina e sulfadiazina iniciado antes dos 2,5 meses de idade e com duração de 12 meses, tendo realizado acompanhamento pediátrico, oftalmológico e fonoaudiológico periódico. Para avaliar a audição foram usados, como instrumentos diagnósticos, medidas de imitância acústica, emissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente e produto de distorção, potencial evocado auditivo de tronco encefálico e observação do comportamento auditivo. Foi avaliada a acuidade auditiva e as alterações auditivas foram classificadas em condutivas, neurossensoriais e retrococleares. O desempenho de linguagem foi avaliado usando-se um instrumento de avaliação do desenvolvimento da linguagem, e os resultados foram classificados como normais ou alterados. As seguintes variáveis foram estudadas: resultados audiológicos, condições neurológicas e oftalmológicas, linguagem e presença de fator de risco para perda auditiva além da toxoplasmose congênita. Foi realizada análise univariada pelo qui-quadrado ou teste exato de Fisher. RESULTADOS: entre setembro de 2006 e março de 2007, 106 crianças foram diagnosticadas com toxoplasmose congênita pelo programa de triagem neonatal, sendo incluídas no estudo. A análise dos dados mostrou que 60 crianças apresentavam audição normal (56,6%) e 46 crianças apresentavam audição alterada, sendo 13 crianças (12,3%) com alteração condutiva, 4 (3,8%) com perda auditiva neurossensorial e 29 (27,4%) com comprometimento retrococlear. Houve associação entre presença de alteração auditiva e déficit de linguagem. A comparação entre crianças ue apresentavam outro fator de risco além da toxoplasmose e crianças que apresentavam somente a toxoplasmose como fator de risco para alteração auditiva não mostrou diferenças, o que sugere que os achados audiológicos alterados encontrados neste estudo devem-se exclusivamente à toxoplasmose congênita. CONCLUSÕES: mesmo com o diagnóstico e tratamento precoces, observou-se elevada prevalência de comprometimento audiológico em crianças com toxoplasmose congênita

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