Este artigo é sobre doenças, mortes, supultamento ou insepultamento de pessoas escravizadas em Moçambique. Pretendo falar sobre “essa porção mais infeliz da espécie humana”, “que podem ser considerados, indivíduos que perderam sua liberdade, tudo o que era bom e prazeroso para eles”, das doenças que muitas vezes os afligiam, de suas mortes infelizes, de seu enterro em covas rasas, nus, enrolados e amarrados em esteiras, sem qualquer ritual religioso, oração ou sacramento, ou da falta de enterro “como se fossem animais brutais”. O objetivo é contribuir para a compreensão da maneira como as pessoas escravizadas lidavam com a doença, a morte, o sepultamento e/ou o insepultamento no século XVIII e na primeira metade do século XIX. Considerando que, na maioria dos casos, os escravos estavam totalmente desamparados, sem um médico, cirurgião, sangrador ou curandeiro, quando sofriam de vários tipos de doenças a morte era quase certa, tanto que tinham de conviver com a morte e com um enterro indigno. Mesmo nos cenários em que alguns adotavam a prática de ser um cirurgião, uma espécie de sangrador, usando amuletos e talismãs e aplicando práticas de cura, sua condição de indigência e desamparo pouco fazia para aliviar as doenças que frequentemente os atacavam. Este estudo é eminentemente qualitativo e utiliza o método histórico comparativo