Posicionalidade em pesquisas em etnomatemática: Discutindo os movimentos de ir e vir entre o campo e a academia

Abstract

Para que o trabalho investigativo em etnomatemática seja conduzido apropriadamente, é importante discutir sobre a necessidade de que os pesquisadores compreendam os outros por meio de uma relação cíclica de estranhamentos que pode ocorrer durante o desenvolvimento de encontros dialógicos durante a condução do trabalho de campo desse programa. Esse artigo teórico evidencia que, nesse jogo de estranhamentos, ocorrem constantes transformações nas leituras de mundo que estão relacionadas com a posicionalidade dos pesquisadores com relação ao estarem lá (êmico) no campo ou de estarem aqui (ético) na academia. Então, o entendimento desse movimento indissociável de ir e vir entre o estar lá e o estar aqui pode facilitar o estabelecimento de relações simétricas e de alteridade na interação dialógica que permeia a dinâmica dos encontros entre os membros de um determinado grupo cultural (insiders) com os pesquisadores (outsiders). Nesse sentido, existe a necessidade de que os pesquisadores reconheçam o movimento de ir e vir, bem como a aproximação ou o distanciamento entre os pesquisadores e pesquisados, pois a posicionalidade é uma condição necessária para que a interação dialógica se manifeste no trabalho de campo conduzido nas investigações em etnomatemática

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