Dissertação de Mestrado em Gerontologia Social apresentada na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do CasteloAssociado ao envelhecimento demográfico, está frequentemente associado ao aumento da doença crónica, nomeadamente a patologia demencial que se caracteriza por uma sucessiva flexibilidade cognitiva e emocional que intervém no desempenho das atividades da vida diária na qualidade de vida do idoso. Esta alteração do cotidiano não atinge apenas o idoso, mas toda a sua família. A perda progressiva de capacidades por parte do idoso impõe a necessidade de um cuidador, que normalmente surge no seio da família, sendo diversos os motivos que o levam a assumir este papel.
Ser cuidador informal implica uma grande partilha e dedicação, é uma tarefa complexa e árdua, que com frequência acarreta, alterações físicas, emocionais, sociais e financeiras levando a sobrecarga no cuidador, situação que por sua vez pode originar alterações no bem-estar e saúde mental do cuidador.
É tendo em conta os efeitos que podem ajudar o difícil papel do cuidador informal, e a relevância que este assume na vida do idoso, que surge a necessidade de estudar a importância de variáveis, como o suporte social, que podem ser importantes como moderadores do estresse desencadeado pelo cuidar.
É objetivo deste estudo analisar a relação entre aspectos sociodemográficos e variáveis relacionadas com a prestação de cuidados, a sobrecarga, a saúde mental e o suporte social em cuidadores informativos de idosos com patologia demencial.
Para alcançar o objetivo proposto, delineou-se um estudo descritivo-correlacional e transversal, em que participaram 45 cuidadores informais de idosos com demência e para o qual se elaborou um protocolo de coleta de dados constituído por: questionário sobre dados sociodemográficos e variáveis relacionadas com uma prestação de cuidados; Escala de Sobrecarga do Cuidador (ESC) de Sequeira (2007); Inventário de Saúde Mental (ISM) de Ribeiro (2001) e Escal de Apoio Social (EAS) de Matos, A.P. & Ferreira, A. (2000), que foi aplicado a todos os participantes no estudo através de entrevista,
O grupo de cuidadores informais treinados é constituído maioritariamente por mulheres (filhas) casadas ou a viver em união de fato, com idades específicas entre os 48 e 64 anos com frequência do 3º ciclo do ensino básico, reformadas, com rendimento líquido mensal entre os 500 e 1000 euros, vivem permanentemente com o idoso, despendem das 24 horas diárias par o cuidar, e mais de metade dos cuidadores informais, cuidam entre 4 a 7 anos.
As variáveis relacionadas com a prestação de cuidados associados se diferenciam significativamente na sobrecarga, saúde mental e percepção de suporte social pelos cuidadores informados, ao contrário das variáveis sociodemográficas.
Os principais resultados deste estudo sugerem que os cuidadores informais percebem maioritariamente uma sobrecarga severa, sendo que uma percepção de maior sobrecarga está associada a pior saúde mental. Por sua vez, maior suporte social percebido associa-se a menores níveis de sobrecarga e a melhor percepção de saúde mental.ABSTRACT
The increasing number of chronic diseases is frequently age-related, namely dementia that is characterized by a progressive cognitive and emotional deterioration which interferes not only with the daily routine but also in the elderly quality of life. This change affects not only the elderly, but his entire family. The progressive loss of capacity requires a caregiver, which usually arises within the family and many reasons lead him to assume this role.
Being an informal caregiver requires major sharing and dedication. It is an arduous and complex mission, which often causes physical, emotional, social and financial changes on the caregiver. It can also conduct to a situation which can lead to changes in his welfare and mental.
Regarding the effects that may arise from the difficult role of the informal caregiver and from the relevance that he assumes in the elderly life, it is essential to study the importance of variables such as social support, which may be important as moderators of stress caused by caregiving.
The aim of this study is to analyze the relationship between sociodemographic data and variables related to caregiving, burden, mental health and social support, among caregivers who take responsibility for patients with dementia.
To accomplish this objective, a descriptive correlational and cross-sectional study was conducted, involving 45 informal caregivers of elderly with dementia. A protocol for data collection was developed comprising: the Scale of Caregiver Burden (ESC) from Sequeira (2007); the Mental Health Inventory (ISM) from Ribeiro (2001) and the Social Support Scale (Matos & Ferreira, 2000) which was applied to all participants using interviews.
The group of caregivers studied consists mainly of women (daughters), aged between 48 and 64 years, retired, married or living together, with an income between 500 and 1000 euros, who have attended the junior high school and living permanently with the elderly. More than 50% of informal caregivers perform this routine for 4-7 years.
Variables related to caregiving are associated with significant differences in burden, mental health and perception of social support by the informal caregivers, unlike the sociodemographic variables.
The main results of this study suggest that the majority of informal caregivers perceive a severe burden and that the perception of higher levels of burden is associated with worst mental health conditions. In turn, a major perceived social support is associated with lower levels of burden and
with a better perception of mental health