As práticas mágico-terapêuticas de matriz xamânica eram objeto de muitas denúncias feitas a agentes do Santo Ofício no Estado do Maranhão e Grão-Pará. Os indígenas eram cientes do atrativo de seus rituais entre os moradores, mas também do incômodo que estas práticas suscitaram entre os zeladores da fé. Objetiva-se analisar as agências dos indígenas sob o prisma de “encontros-choque” entre os horizontes simbólicos do catolicismo barroco e do xamanismo amazônico. Diversas denúncias, anotadas no último quartel do século XVII e que constam nos Cadernos do Promotor, demonstram a ampla difusão de práticas xamânicas em ambientes de intensa interação entre colonizadores e colonizados, além de sua apropriação e ressignificação por diferentes sujeitos que integraram uma sociedade cada vez mais heterogênea