Abstract

Introdução: O microbioma oral representa a segunda maior comunidade microbiana do corpo humano e exerce papel essencial na manutenção da homeostase bucal, além de influenciar diretamente a saúde sistêmica. Alterações em sua composição, caracterizadas pela disbiose, têm sido associadas a diversas doenças através de mecanismos fisiopatológicos como disseminação hematogênica de patógenos, ativação imune inflamatória, interação com o eixo oral-intestinal e modulação da resposta autoimune. Objetivo: analisar as evidências científicas recentes sobre as associações entre o microbioma oral e doenças sistêmicas, identificando mecanismos fisiopatológicos e implicações clínicas. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa conduzida por meio de buscas nas bases PubMed, LILACS e Scielo, abrangendo publicações dos últimos cinco anos nos idiomas português, inglês e espanhol. Resultados: Foram incluídos artigos originais que relacionassem o microbioma oral a manifestações sistêmicas, com dados clínicos, microbiológicos ou moleculares. O processo de seleção resultou em 22 estudos incluídos para análise crítica. Que foram organizados em dez eixos temáticos: mecanismos de disseminação e inflamação sistêmica; doenças cardiovasculares; doenças neurológicas; doenças respiratórias; diabetes mellitus; doenças autoimunes; oncologia; doenças cerebrovasculares; complicações gestacionais; e resposta imune do hospedeiro. A literatura aponta forte associação entre disbiose oral e desenvolvimento de condições como aterosclerose, doença de Alzheimer, diabetes mellitus tipo 2, artrite reumatoide, câncer e complicações na gravidez. Os mecanismos mais recorrentes envolvem translocação bacteriana, produção de lipopolissacarídeos, ativação de citocinas pró-inflamatórias e mimetismo molecular. Conclusão: o microbioma oral constitui modulador fundamental da saúde sistêmica, sendo capaz de influenciar múltiplas doenças crônicas por vias inflamatórias e imunes. A compreensão desses processos reforça a necessidade de integrar a saúde bucal à prática médica geral e evidencia o potencial do microbioma oral como alvo para estratégias diagnósticas e terapêuticas inovadoras.   Palavras-chave: Microbioma oral; Disbiose; Doenças sistêmicas; Inflamação; Saúde sistêmica

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