research article

O verbo ‘dar para’ como expressão de modalidade no português brasileiro: um estudo a partir da cartografia sintática e da semântica formal

Abstract

The aim of this paper is to provide a syntactic and semantic analysis for the modal ‘dar para’ (give to) in Brazilian Portuguese, following syntactic cartography (Cinque, 1999; 2006; Cinque; Rizzi, 2008) and formal semantics (Kratzer, 1977, 1991). Two methodological procedures are used: (i) the analysis of 125 spontaneous data on the internet (on social network X and news websites) and (ii) the preparation of tests using the introspection method. In the literature, ‘dar para’, in its modal use, is analyzed as a quasi-auxiliary verb (Salomão, 2008; Souza, 2016), lexical verb (Duarte, 2012; Souza, 2016) or auxiliary verb (Coelho; Silva, 2014). Semantically, ‘dar para’ is treated as a weak verb (Oliveira, 2001) which expresses epistemic modality (Duarte, 2012; Coelho; Silva, 2014), facultative modality (Souza, 2016) or root and deontic modality (Veloso, 2007). We argue that ‘dar para’ is a functional verb that expresses only weak root modality, preferably expressing circumstantial modality, and less frequently deontic and teleological modalities. It differs syntactically from other modal functional verbs such as ‘poder’, ‘dever’ and ‘ter que’ because it does not favor raising to the subject position and, semantically, because it is more restricted in relation to the types of modality it expresses.O objetivo deste artigo é analisar usos modais do verbo ‘dar para’ do português brasileiro sintática e semanticamente, fundamentando a análise na cartografia sintática (Cinque, 1999, 2006; Cinque; Rizzi, 2008) e na semântica formal (Kratzer, 1977, 1991). Empregamos dois procedimentos metodológicos: (i) coleta e análise de 125 dados espontâneos da internet (na rede social X e sites de notícias) e (ii) elaboração de testes seguindo o método da introspecção. Na literatura, ‘dar para’, em seu uso modal, é analisado como verbo quase-auxiliar (Salomão, 2008; Souza, 2016), verbo pleno (Duarte, 2012; Souza, 2016) e verbo auxiliar (Coelho; Silva, 2014). Semanticamente, ‘dar para’ é tratado como um verbo fraco (Oliveira, 2001), que expressa modalidade epistêmica (Duarte, 2012; Coelho; Silva, 2014), modalidade facultativa (Souza, 2016) e modalidade raiz e deôntica (Veloso, 2007). Em nossa análise, mostramos que ‘dar para’ é um verbo funcional, que denota modalidade raiz fraca, expressando, preferencialmente, a modalidade circunstancial e, menos frequentemente, as modalidades deôntica e teleológica. Ele se diferencia sintaticamente dos verbos funcionais modais ‘poder’, ‘dever’ e ‘ter que’, por não favorecer o alçamento para a posição de sujeito e, semanticamente, por ser mais restrito em relação aos tipos de modalidade que expressa

    Similar works