research article

A chaga e o fármaco: Relativismo e perspectivismo em Merleau-Ponty e Viveiros de Castro

Abstract

The world and knowledge revealed from a single perspective—precisely because a multiplicity of viewpoints is presupposed—are often regarded as a form of \u27dangerous\u27 relativism. This article aims to show that, although perspectivism in Merleau-Ponty is fundamentally distinct from the Amerindian perspectivism of Viveiros de Castro—above all because they originate from different fields of knowledge—a comparison between the two, in terms of their respective relationships to relativism, does not yield an empty echo. To that end, a perspective on the concept of perspective will first be proposed—a conceptual trajectory that moves from Merleau-Ponty to the perspectivism of Gilles Deleuze, a theoretical influence through which Viveiros de Castro, along with the ethnographic references that make up the repertoire of Cultural Anthropology, developed the concept of Amerindian perspectivism. Subsequently, it will be demonstrated that the notion of multiplicity in both authors is key to understanding that, although neither form of perspectivism is reducible to relativism, both maintain a close relationship with relativity—that is, with the primacy of relation that emerges within difference.O mundo e o conhecimento revelados a partir de uma única perspectiva – por se pressupor uma multiplicidade de pontos de vista – é frequentemente cotejado enquanto um “perigoso” relativismo. No presente artigo, quer-se mostrar que, embora o perspectivismo em Merleau-Ponty seja fundamentalmente distinto do perspectivismo ameríndio de Viveiros de Castro, sobretudo porque oriundos de campos do conhecimento distintos, uma comparação entre ambos no que diz respeito às relações que mantêm com o relativismo não devolve um som oco. Para tanto, primeiramente, será proposta uma “perspectiva” do conceito de perspectiva, uma trajetória do conceito que passa por Merleau-Ponty até chegar ao perspectivismo de Gilles Deleuze, influência teórica com a qual Viveiros de Castro, junto às próprias referências etnográficas que são repertório da disciplina de Antropologia Cultural, fundou o conceito de perspectivismo ameríndio. Na sequência, será demonstrado que a noção de multiplicidade em ambos os autores é a chave para se compreender que, ainda que ambos os perspectivismos não sejam relativismos, eles mantêm estreita relação com a relatividade, isto é, com o primado da relação que se faz no seio da diferença

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