Este artigo procura pensar o papel dos poemas iniciais de cada livro de Carlos Drummond de
Andrade, concentrando-se, no entanto, na análise de um caso, os poemas introdutórios de A paixão
medida, livro publicado em 1980. Os primeiros poemas de cada livro de Drummond expressam os temas,
âmbitos e posições do eu lírico, a serem desenvolvidos, retomados e ampliados nos poemas subsequentes.
No caso de A paixão medida, tais temas são as indagações acerca da natureza, da existência do ser face a
essa natureza – que se desdobrará no centro do livro em uma aproximação da morte – e o papel da língua
como “resolução não resolvida” para o mistério que a morte não pode responder. Como base teórica,
usam-se aqui as teorias de Hugo Friedrich acerca da lírica moderna, bem como a própria fortuna crítica da
poesia de Drummond