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Análise do perfil epidemiológico de lesões cutâneas da Hanseníase utilizando sistemas de informação em saúde do DATASUS: Uma doença negligenciada

Abstract

Introdução: A hanseníase é uma doença infectocontagiosa e crônica que possui alta notoriedade na área da saúde, pois está ligada a um forte histórico de estigmatização, exclusão social e debilitação dos pacientes que a contraem. A doença é classificada nas formas Paucibacilar e Multibacilar, diferenciadas de acordo com o resultado do exame baciloscópico e com o número de lesões cutâneas apresentadas pelo paciente. Mundialmente são notificados mais de 200 mil casos anuais, sendo que o processo de evolução pode ser lento, chegando a até 10 anos. Objetivo: Avaliar os aspectos epidemiológicos de lesões cutâneas da hanseníase, verificando sua incidência, os casos e taxas de detecção dos diferentes tipos de lesões cutâneas relativas à doença e suas variáveis associadas. Metodologia: Estudo epidemiológico descritivo de  base populacional, de pacientes com lesões cutâneas da hanseníase no Brasil. Os dados serão obtidos a partir de consultas às bases de dados SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Resultados: O número total de lesões cutâneas populacionais diagnosticadas no período de 2019 a 2024 foi de 1.032.256, com maiores prevalências nos anos de 2019 e 2023. Nos casos de tratamento por esquema Paucibacilar, constatou-se que após o término da administração dos medicamentos por no mínimo 6 doses, as lesões se mantiveram em 26.716 casos, de um total de 373.689 pacientes tratados pelo esquema. Já no tratamento Multibacilar, notificou-se um total de 966.021 pacientes tratados, sendo que em 470.176 casos as lesões se mantiveram após 12 doses, em comparação com apenas 4.841 casos após 24 doses. Quanto às notificações relativas a diferentes regiões do Brasil e níveis de escolaridade, foi documentada uma maior prevalência de hanseníase em pacientes que apresentam da 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental incompletas, sendo esses casos numerados em 197.524. As raças que lideraram a pesquisa foram branca e parda, e os estados com maior prevalência da doença no período analisado foram: Mato Grosso, seguido por Maranhão e Pará. Em relação às diferentes apresentações clínicas das lesões notificadas por meio de baciloscopia, os resultados finais foram: 40.844 casos de hanseníase tuberculoide, 555.863 de dimorfa, 328.324 de virchowiana e 41.087 de indeterminada. De acordo com o sexo dos pacientes avaliados, notou-se que 65,2% eram do sexo masculino, sendo que a doença mostrou-se mais prevalente na população de 40 a 49 anos. Conclusão: Frente aos dados encontrados no trabalho em vigência, conclui-se que o incentivo estatal de promover medidas públicas de saúde que visem à notificação e o tratamento precoce da hanseníase cutânea se torna indispensável no atual cenário da doença no Brasil. Isso se deve às fortes evidências que mostram prognósticos expressivamente mais favoráveis e quedas significativas na prevalência das lesões em casos nos quais foram tomadas medidas profiláticas precoces, além de tratamento adequado e notificações em tempo hábil

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