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Trauma perfurante na região toracoabdominal: uma revisão sistemática

Abstract

O trauma perfurante toracoabdominal ocorre entre a linha mamária superiormente, e inferiormente até o 8º espaço intercostal¹. Com uma mortalidade de até 71%², essas lesões possuem uma importância epidemiológica, sobretudo em países como o Brasil, e envolve acometimentos de órgãos nobres, como o coração e vasos menos acessíveis com potencial de sangramentos volumosos. Os objetivos desta revisão sistemática sobre traumas perfurantes na região toracoabdominal, envolvem reunir dados da literatura sobre as lesões penetrantes na região toracoabdominal; observar os fundamentos científicos consagrados e as atualizações sobre o assunto e destacar as experiências de sucesso no diagnóstico das lesões e manejo do trauma perfurante toracoabdominal. Foram utilizados os descritores nos bancos “PubMed” e "Embase": "trauma ou lesion", 'penetrating injury' ou 'stab wound' " e “thoracoabdominal". Critérios de inclusão: (1) estudos observacionais ou randomizados; (2) pacientes com lesão penetrante em região toracoabdominal; (3) artigos ou resumos disponíveis. Nenhuma restrição de tempo ou idioma foi aplicada. Identificamos 152 artigos e incluímos 75 estudos publicados entre 1980 e 2020. Dois artigos²³  destacaram uma maior ocorrência de trauma toracoabdominal nos fins de semana (75%) e outros dois demonstraram uma associação ao uso de entorpecentes, apresentando um percentual de até 26,5%. Em relação ao sequenciamento inicial, a maior taxa de indicação de laparotomia ou toracotomia, devido à instabilidade hemodinâmica foi de 37% dos pacientes¹. Para os pacientes mais estáveis, recursos indiretos ou menos invasivos demonstraram percentuais acima de 65% de acurácia diagnóstica (gráfico 1). Lesões de órgãos sólidos, de vísceras ocas e diafragmáticas, hemotórax, pneumotórax, pneumomediastino, tamponamento cardíaco, também indicaram algum tipo de intervenção. Ademais, choque hemorrágico, sepse, síndrome do desconforto respiratório agudo, foram algumas complicações associadas à mortalidade. Os estudos foram heterogêneos, trazendo diferentes aspectos diagnósticos e terapêuticos importantes para indicar tratamento cirúrgico ou conservador. Casos graves com indicação cirúrgica e evolução mais aguda, ainda são um desafio, pois há dificuldade na decisão de qual cavidade abordar primeiro e nesse sentido, estudos futuros podem favorecer a otimização do atendimento, esclarecendo essas situações

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