Estudos e proposições sobre a padronização de venenos e antivenenos ofídicos de interesse médico para o Brasil

Abstract

Os venenos ofídicos são os mais complexos e variáveis de todos os venenos animais. As proteínas perfazem cerca de 90 % do peso seco total e entre elas existem enzimas (fosfolipases, hialuronidases, proteases de diversas especificidades, fosfatases, colagenases, nucleases, laminoácido- oxidases, nucleotidases, etc), proteínas ativas farmacologicamente apresentando ou não atividade enzimática (crotoxina, cardiotoxinas, e neurotoxinas, etc) e, proteínas e enzimas que liberam agentes auto-farmacológicos. Em virtude da multiplicidade de propriedades bioquímicas, os venenos ofídicos são capazes de afetar toda classe de constituintes dos seres vivos (proteínas, lipídios, ácidos nucleicos, substância fundamental amorfa e membranas celulares), causando alterações da coagulação sanguínea, lesões estruturais e disfunções nos sistemas cardiovascular, respiratório, renal e neuromuscular. Componentes não protéicos também estão presentes nos venenos, como lipídeos, carboidratos, nucleosídeos, nucleotídeos,aminoácidos, aminas (serotonina, noradrenalina, metiltriptofano, bufotenina), cátions metálicos (cálcio, zinco, magnésio, sódio, potássio, cobre, manganês), ânions como o fosfato e citrato, etc. Maiores detalhes a respeito da complexidade de composição dos venenos ofídicos podem ser encontrados nas excelentes revisões de Russell (1967), Jimenez-Porras (1970), Lee (1972), Iwanaga & Suzuki (1979), Karlsson (1979) e Bieber (1979)

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