As/os sujeitos(as) transexuais e travestis sofrem diferentes formas de violência, dentre as
quais encontram-se a exclusão escolar, a dificuldade de acesso ao Ensino Superior e ao
mercado de trabalho. Isso resulta na baixa escolaridade e na falta de qualificação
profissional e o agravamento da estigmatização em razão da sua identidade de gênero.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar as Representações Sociais sobre a identidade
de mulheres transexuais e travestis para professores e professoras cisgênero da Educação
Básica de modo a compreender o que pensam, o que sentem e como se comportam quando
possuem alunas travestis e transexuais e quais as repercussões disso para que os sujeitos
Trans se mantenham na Educação Básica. Foram realizadas seis entrevistas narrativas
com professores e professoras da Educação Básica da rede pública de Belo Horizonte que
lecionam ou lecionaram para alunas transexuais e ou travestis. Os dados foram em
divididos em duas partes, a primeira parte foi organizada em 03 categorias que permitiram
a interpretação dos processos de formação das Representações Sociais, são elas: 1) A
transexualidade e a travestilidade como “não familiar; 2) O corpo cisgênero como forma
de ancoragem e objetivação da transexualidade e travestilidade e 3) Componentes
identitários que atravessam as Representações Sociais. A segunda parte trata do
Movimento das Representações Sociais, essa por sua fez está organizada em 3 posições
que que demarcam o posicionamento dos entrevistados e como esse reverbera nas
modificações e manutenção das práticas escolares .Pensar na pessoa Trans a partir da
cisheteronormatividade imposta socialmente nos ajuda a entender a situação de
invisibilidade, violência e vulnerabilidade da População transexual e travestis e a
compreender o tema na perspectiva da falta acesso a direitos, como a educação e ao
trabalho, além de pensar estratégias para contemplar estas identidades dentro de propostas
de ensino-aprendizagem. A análise identificou a presença de normas cisgêneras para o
processo de formação das Representações Sociais sobre a transexualidade e travestilidade
e apontou que a maior parte dos professores e professoras não modificaram suas práticas
relacionadas ao ensino de suas disciplinas em sala de aula.CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superio