Durante nosso dia-a-dia estamos expostos a diferentes estímulos que geram
novas memórias, modificam lembranças antigas e interferem em novos
aprendizados. Essas memórias que se referem às lembranças capazes de modelar
o mundo externo são chamadas de declarativas, dentre elas, destacamos a memória
de reconhecimento social (MRS), que diz respeito a capacidade de reconhecer
coespecíficos, e a memória de reconhecimento de objetos (MRO), que é a
capacidade de lembrar de objetos familiares. Ambas MRS e MRO são processos
dependentes do hipocampo (HIP). Nosso grupo de pesquisa vem mostrando uma
relação da MRS com a neurogênese adulta. Esse fenômeno também vem sendo
relacionado à redução da interferência entre dois traços de memória. Baseado nisso
nosso objetivo foi investigar se o aumento do número de neurônios novos no giro
denteado (GD) era capaz de proteger uma memória dependente do HIP da
interferência. Nós utilizamos camundongos Swiss, CD1 e C57BL/6. O teste de
reconhecimento social (RS) foi utilizado para acessar a MRS e o teste de
reconhecimento de objeto novo (RON), para a MRO. Como estímulos de
interferência foram utilizados a mudança de caixa de um ambiente enriquecido (AE)
ou caixa grande (CG) para um ambiente padrão, o teste de suspensão pela cauda
(TSC) e os treinos do RS e RON. Uma única dose de memantina (25 mg/kg, i.p.)
uma semana antes do treino foi utilizada como estímulo neurogênico. Nós
verificamos que a mudança de alojamento não foi capaz de interferir na MRS de
camundongos Swiss, CD1 e C57BL/6. A partir desse momento, optamos por fazer
os seguintes experimentos em animais da linhagem C57BL/6. Nós observamos que
o TSC apresentado durante diferentes horários (0h, 3h, 6h ou 12h) ao longo da
consolidação da MRS não interferiu nessa memória. No caso de outra memória
como estímulo interferente, o aprendizado do RON foi capaz de interferir
proativamente no aprendizado da MRS, e o oposto também foi observado. Em
contraste, a apresentação do aprendizado do RON após o da MRS não foi capaz de
interferir na consolidação dessa memória, sendo o oposto também verificado.
Surpreendentemente, não detectamos o aumento da neurogênese uma semana
após a administração da memantina, nos impedindo de verificar se o aumento do
número de neurônios novos seria capaz de prevenir a interferência proativa
observada. Em síntese, o aprendizado de uma memória dependente do HIP é capaz
de interferir na aquisição de outra memória que tem esse substrato neural em
comum, sugerindo uma interação entre o processamento dessas memórias.
Ademais, futuros experimentos ainda são necessários para esclarecermos a questão
de se o aumento da neurogênese é capaz de proteger o traço de memória da
interferência observada.CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoFAPEMIG - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas GeraisCAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior2021-03-1