'Programa de Pos-graduacao em Ciencias Contabeis da UFRJ'
Abstract
O objetivo do presente trabalho foi analisar a estrutura e distribuição produtiva da agropecuária do estado do Rio de Janeiro e as principais atividades deste setor, detalhando a evolução temporal e a posição atual. Para isso, seguindo a metodologia de Oliveira e Gasques (2019) foram utilizadas os indicadores primordiais estabelecidos na literatura de Economia Regional (Quociente Locacional, Coeficiente de Localização, Coeficiente de Especialização, e Coeficiente de Redistribuição), utilizando as medidas de área colhida (ha) da agricultura e efetivo de rebanho da pecuária (quantidade de cabeças) anuais do IBGE de 1990 a 2019 para
as mesorregiões do estado. O Quociente Locacional demonstrou quais mesorregiões fluminenses foram consideradas significativas em cada atividade em cada recorte temporal, assim como o acréscimo e decréscimo de importância, comparativamente a totalidade do contexto estadual. Já o cálculo do Coeficiente de Localização apresentou que nenhuma atividade agropecuária, dentre as selecionadas, teve um padrão de concentração muito mais intenso que a média estadual ao longo da série temporal. Os resultados mais elevados, por outro lado, foram o cultivo da laranja em 2000 e 1990 e o cultivo do café em 2019 e 2010, o que
mostra como a laranja na década de 1990 e o café na década de 2010 foram as alternativas da agricultura fluminense ao predomínio da cana-de-açúcar na mesorregião Norte. O Coeficiente de Especialização, por sua vez, mostrou que nenhuma mesorregião fluminense obteve significativa intensidade em concentração regional, tanto da agricultura quanto da pecuária. Porém, foi destacado no trabalho como, na agricultura, o Noroeste Fluminense teve trajetória ascendente do indicador ao longo dos anos (atingindo máximo de todas as mesorregiões em 2019) e as Baixadas percorreram o sentido oposto, se aproximando do padrão de concentração estadual. Por fim, os resultados do Coeficiente de Redistribuição indicaram que não houve reestruturação profunda, tanto da agricultura, quanto da pecuária fluminense, mesmo que tenha ocorrido forte alteração no total de área colhida (ha) e efetivo de rebanho (cabeças) entre 1990 e 2019. O conhecimento dos padrões da estrutura e distribuição produtiva dessas atividades possibilita que políticas públicas sejam formuladas, implementadas e avaliadas com o objetivo do desenvolvimento rural fluminense, tendo em vista o histórico e posição atual do setor