Reflexões sobre a ética do desejo em Lacan e suas implicações na direção do tratamento clínico: a aposta política na “falta a ser”

Abstract

O objetivo deste trabalho é compreender a proposta de Lacan sobre a ética da psicanálise a partir do Seminário VII: a ética da psicanálise (1959- 1960). Através de revisão teórica e posterior discussão buscaremos compreender de que forma o entendimento de Lacan sobre a ética do desejo indica uma direção e um fim ao tratamento clínico. Este trabalho está contextualizado no sujeito ocidental da atualidade. Ao longo desta pesquisa percorreremos as vicissitudes dos conceitos gozo e desejo que serão a base para a construção da ética da psicanálise. Para discutir o gozo abrangeremos o conceito freudiano de das-Ding e os pensamentos de Aristóteles, Kant e Sade, pois são utilizados por Lacan para problematizar e discutir os ideais de felicidade, prazer e completude que influenciaram a moral, a cultura e a ciência das sociedades pós-industriais. Desta forma, o problema desta pesquisa reside em compreender o modo como a ética da psicanálise posiciona o tratamento clínico frente à moral capitalista. Discorreremos sobre a direção do tratamento através da discussão do desejo do analista para definir um final de análise condizente com a ética do desejo. O final de análise levaria o analisando a condição de atravessar sua fantasia de completude e, assim, constataria a dimensão trágica do humano em que o Outro também é castrado, portanto restaria ao sujeito caminhar em direção ao seu desejo. Logo, afirmamos que a ética do desejo direciona o trabalho clínico de forma oposta aos ideais da moral capitalista, uma vez que os sujeitos deixam de buscar semblantes de gozo oferecidos pelo capitalismo quando afirmam sua condição de Falta-a-se

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