O presente artigo tem como objetivo refletir sobre caminhos possíveis para o desenvolvimento de letramentos acadêmicos entre estudantes migrantes de crise (Clochard, 2007). Parto da noção de letramentos proposta por Masny (2007), para quem tal termo designa maneiras de ler e se ler no mundo, permeadas por ideologias e relações de poder (Street, 2014). Nesse sentido, é exigido que as/os migrantes de crise desenvolvam letramentos acadêmicos a partir do silenciamento de sua bagagem linguística/cultural e de seus saberes, em um processo de colonialidade acadêmica (Menezes de Souza, 2017). Como forma de lançar contrapontos a esse cenário, analiso o manual Passarela – Português como Língua de Acolhimento para Fins Acadêmicos, voltado para estudantes migrantes inseridos em cursos de (pós)-graduação das IES brasileiras. O trabalho analítico me permite compreender que a proposta do material didático de estabelecer relações dialógicas entre o alunado deslocado forçosamente e a comunidade acadêmica ganha eficácia não apenas por meio de políticas como as que lhe deram origem, mas, principalmente a partir da postura da/do professora/professor – primeira figura a se contrapor às forças que silenciam essas/esses estudantes