Com um discurso disciplinador e direcionado a obter melhores índices de qualidade na educação (teoricamente), durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, temos a implantação, em algumas regiões do Brasil, das escolas cívico-militares, pelo Decreto n.º 10.004 de 2019. Contudo, pontuamos que a implantação dessas escolas carrega uma herança, em específico da ditadura civil-militar, que apresentava um discurso modernizador e que também se fez presente nas políticas educacionais do período, especificamente na Reforma do Ensino Superior de 1968 e na Reforma de 1.º e 2.º graus de 1971. Nesse cenário, nossa questão problematizadora foi esta: qual a vinculação das escolas cívico[1]militares e a ditadura civil-militar? Para atender a essa proposta, o desenvolvimento da pesquisa partiu de estudos bibliográficos e documentais, pautados no materialismo histórico-dialético com o intuito de analisar a relação entre a escola cívico-militar e a ditadura civil-militar. Para tanto, primeiramente identificamos os direcionamentos e impactos da escola cívico-militar no cenário brasileiro, para, posteriormente, apontarmos a relação entre a escola cívico-militar e a ditadura civil-militar. O estudo mostrou que, sob o slogan de modificação no cenário nacional em defesa de suposta modernização durante o governo de Jair Bolsonaro, a implantação das escolas cívico-militares segue um viés doutrinador e autoritário, além de delegar à educação a resolução dos problemas sociais. Todavia, esse discurso não é novo, já que se fez presente durante o período da ditadura civil-militar, que, por sua vez, se encontra enraizado com questões direcionadas à esfera econômica e política