research article

Trânsfugas na modernidade: literatura e política em Machado de Assis, Sílvio Romero e Clóvis Beviláqua no Brasil do fin-de-siècle

Abstract

This article explores the intersections between literature and political thought in Brazil through the lives of Machado de Assis, Silvio Romero, and Clóvis Beviláqua. Based on Machado - Romance (2016) by Silviano Santiago, it analyzes how the transformations of modernity are reflected in Machado's life and work, particularly in his final years, highlighting how the social and political tensions of the time are inscribed in the author's personal experience. Meanwhile, Romero and Beviláqua are examined as "transfuge" intellectuals who, by not fitting into dominant structures, offered a critical view of Brazilian modernity. Examining these intellectuals provides a deeper understanding of the contradictions of modernity in Brazil, highlighting the role of literature and culture as spaces for analyzing these tensions. In addition to Santiago, the theoretical framework draws on Edward Said's (2005) ideas on the role of intellectuals and Eric Santner's (2011) insights on modernity.Neste artigo, serão exploradas as interseções entre literatura e política no Brasil da virada do século XIX para o XX, a partir das trajetórias de Machado de Assis, Silvio Romero e Clóvis Beviláqua. Partindo de Machado - Romance (2016), de Silviano Santiago, analisa-se como as transformações da modernidade se refletiram na vida e obra de Machado, especialmente em seus últimos anos (entre 1905 e 1908), destacando-se como as tensões sociais e políticas da época se inscrevem na experiência pessoal do autor e em suas relações de sociabilidade. Já Silvio Romero e Clóvis Beviláqua são analisados enquanto intelectuais trânsfugas, no sentido de que seu esforço por autonomia os levou a não se enquadrarem plenamente nas estruturas (intelectuais e sociais) dominantes. Dentro desse prisma, os três autores analisados oferecem, ainda que implicitamente, uma visão crítica da modernidade brasileira. A reflexão sobre esses intelectuais permite compreender as contradições da modernidade no Brasil, destacando o entrecruzamento da literatura, da política e da cultura como espaço privilegiado de análise dessas tensões. Além de Silviano Santiago, toma-se como referências teóricas as ideias de Edward Said (2005) sobre o papel dos intelectuais e Eric Santner (2011) sobre a dualidade constitutiva do processo de construção da modernidade

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