Multicultural counseling committed to a decolonial approach has posed a challenge in various parts of the world, particularly considering that breaking away from hegemonic knowledge is a historical and complex process. This theoretical study aims to reflect on the need for multicultural counseling and other perspectives, such as ethnopsychology, to engage with these traditional knowledges, enabling the construction of Afrocentric or Afro-referenced care capable of reorienting a professional practice still grounded in biomedical and white-centered models regarding clinical listening. Reflections on cases attended within the context of a psychological support service designed to assist a community associated with an Umbanda religious community in a medium-sized city located in the interior of the state of São Paulo, Brazil, are presented. Rejecting a Euro-American perspective in the emerging clinical context in this setting is a way to combat the gaze of the colonizer, which is oppressive and constrains identity, individual, and collective freedoms. Thus, in ethnopsychological clinical practice, every individual account must be committed to listening to a collectivity and ancestry, so that the person is not subjected to a process of blame for their psychological conditions, but rather that this subjectivity can be understood within a collective and cultural panorama that is also embodied in the history of this individual.O aconselhamento multicultural comprometido com um fazer decolonial tem representado um desafio em diferentes partes do mundo, sobretudo tendo em vista que a ruptura com os saberes hegemônicos é um processo histórico e complexo. Este estudo teórico tem como objetivo refletir sobre a necessidade de o aconselhamento multicultural e outras perspectivas, a exemplo da etnopsicologia, dialogarem com esses saberes tradicionais, possibilitando a construção de um cuidado afrocentrado ou afro-referenciado capaz de reorientar um fazer profissional ainda sustentado em modelos biomédicos e branco-centrados no que tange à escuta clínica. São apresentadas reflexões sobre casos atendidos no contexto de um serviço de apoio psicológico construído para atendimento a uma comunidade frequentadora de um terreiro de umbanda em uma cidade de médio porte localizada no interior do estado de São Paulo, Brasil. Recusarmo-nos a um olhar euro-americano para a clínica emergente nesse contexto é uma forma de combatermos o olhar do colonizador, que é opressor e que aprisiona as liberdades identitárias, individuais e coletivas. Assim, na clínica etnopsicológica, todo relato individual deve estar comprometido com a escuta de uma coletividade e de uma ancestralidade, a fim de que a pessoa não seja submetida a um processo de culpabilização por suas condições psíquicas, mas que essa subjetividade possa ser apreendida dentro de um panorama coletivo e cultural que também se corporifica na história desse sujeito