O artigo apresenta uma revisão do conceito de pânico moral no âmbito dos Estudos Culturais, considerando dois movimentos de deslocamento teórico-metodológicos: o primeiro centrado na apropriação do conceito gramsciano de hegemonia e o segundo no reconhecimento da multimidialidade e das tecnologias digitais na construção do pânico moral, destacando a capacidade de contra-ataque dos grupos sociais demonizados. Busca apresentar, para um conceito abordado geralmente de forma vaga e imprecisa, possibilidades para o estudo da cultura contemporânea e dos processos de disputa de sentidos. Conclui que a noção de pânico moral pode ir além do funcionalismo da teoria da sociologia do desvio formulada pelos seus precursores e envolver os processos de conflito por poder, verdade e representação