Editora Letras do Cerrado da Universidade Federal de Catalão
Abstract
A resistência à dominação europeia assumiu diversas formas nas Américas espanhola e inglesa. Apesar das distinções estruturais nos sistemas coloniais ali implantados, a escravidão foi uma importante instituição na produção e extração de gêneros. Fosse através dos povos nativos ou através de comunidades “importadas”, o não-europeu era concebido como criatura inferior e, portanto, apta aos trabalhos ditos como vulgares. No decorrer do período que compôs a escravidão nas Américas, povos indígenas e africanos encontraram formas de resistência que se manifestaram também de forma camuflada – expressando-se, inclusive, através das músicas. Fundamentados no campo da infrapolítica e no conceito de tática de Michel de Certeau (1998), buscaremos compreender o importante papel desempenhado pelas canções na resistência à escravidão na História do continente americano, observando as singularidades de cada contexto