O trabalho discute as concepções que envolveram a formação continuada dos professores alfabetizadores no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). Partindo da problemática sobre como alguns princípios da formação e profissionalização docente foram, ou não, apropriados e contextualizados pelo PNAIC, elaboramos uma revisão de literatura pautada pela construção de um diálogo entre algumas concepções de formação continuada, identidade, autonomia e saberes da docência e avaliações nacionais, para analisar e discutir o maior programa de formação de professores já realizado no Brasil. As reflexões apontaram que o PNAIC pode ser considerado como uma das políticas públicas de formação de professores alfabetizadores que mais se aproximou de uma proposta de formação para a elaboração do pensamento autônomo, de orientação ideológica democrática e autoparticipativa. Também constatamos que o PNAIC se manteve resistente às concepções oficiais e da gestão das redes, que historicamente tenderam a privilegiar a técnica, não estimular o pensamento crítico, desconsiderar os saberes docentes e não promover a autoparticipação do professor na elaboração da própria formação continuada. Conferimos ainda que o PNAIC não superou esses obstáculos em medida ampla, mas se constituiu em um caso que suscitou a possibilidade de propormos e executarmos políticas públicas de formação de professores capazes de atender os anseios docentes de superação das concepções acríticas e alinhadas à ideologia dominante