Instituto Politécnico do Porto. Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo
Abstract
Génese
No Verão de 1996, despedi-me do Teatro da Cornucópia, depois de oito
anos ininterruptos de colaboração, deixei Lisboa e instalei-me em Braga
para coordenar artística e pedagogicamente um projecto que se chamava
Teatro-Escola-Teatro, inicialmente da autoria da Companhia de Teatro de
Braga, mas no redesenho do qual interferi durante a sua execução.
Punha também fim a um outro projecto que de 1991/96 desenvolvi na
Escola Secundária de Carnaxide (Camilo Castelo Branco) chamado Quarto
Período – O do Prazer (anexo1) e que durante cinco anos mobilizou muitas
dezenas de adolescentes, professores e encarregados de educação à volta
dos espectáculos Romeu e e Julieta, Despertar da Primavera, Arrebenta a
Bolha (criação coletiva), Dia de Marte (este em co-produção com o Teatro
da Cornucópia) e Lisístrata e que me valeu a medalha de mérito municipal
(grau ouro) atribuído pela Câmara Municipal de Oeiras.
Tinha 42 anos e uma carreira de ator que nunca o tinha sido
verdadeiramente. Disperso, sem nunca assumir o conceito romântico,
individualista de artista, sem nunca me sentir artista, navegando no ideário
dos anos setenta em Portugal (que não é o mesmo que no resto do Mundo)
e do 25 de Abril (com muitas causas sociais e políticas, desde a
alfabetização até às campanhas para a diminuição da mortalidade infantil,
passando pelo fim da guerra colonial e pela democratização do ensino),
sem nunca assumir completamente o paternalismo burguês progressista,
herança da Revolução Liberal do século XIX (veja-se a Memória ao
Conservatório Real, de Almeida Garret), de algumas das propostas
culturais e artísticas tão marca dos anos setenta, como as campanhas de
dinamização do MFA ou o Movimento da Descentralização, onde fui cair
em 1976, na Escola de Formação de Atores do CC de Évora, dirigida por
Mário Barradas de saudosa memóri