Trabalho final de mestrado integrado em Medicina (Endocrinologia), apresentado à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.Nos últimos anos, o crescente desenvolvimento e utilização de sofisticados métodos
imagiológicos de diagnóstico, conduziu a um aumento do diagnóstico ocasional de massas
adrenais, definidas como Incidentalomas Adrenais (IA). Consequentemente, a Síndrome de
Cushing Subclínica (SCS) tem ganho um importante destaque na atualidade, por ser
incontestavelmente, a alteração hormonal mais frequentemente associada aos Incidentalomas
Adrenais, com uma prevalência compreendida entre os 5% e 20%, dependendo do protocolo de
estudo e dos critérios de diagnóstico aplicados. O objetivo principal deste artigo é a realização
de uma revisão bibliográfica, com base na literatura publicada acerca da SCS, abordando a sua
definição, história natural, diagnóstico, comorbilidades, terapêutica e seguimento.
A SCS corresponde a uma hipersecreção autónoma de cortisol, embora em pequeno
grau, sendo portanto insuficiente para se expressar sob a forma de estigmas típicos de Síndrome
de Cushing (SC), possuindo, porém, consequências nefastas para a saúde.
Apesar de nesta patologia se verificarem algumas alterações nos testes de avaliação da
função do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal (HHS), os critérios de diagnóstico para a SCS
são alvo de grande controvérsia e discussão, não existindo, até à data, um protocolo de
diagnóstico considerado como padrão de ouro. De entre todos os testes de avaliação hormonal
disponíveis, existe consonância quanto ao lugar do Teste de Supressão com Dexametasona
(TSD) como teste inicial de rastreio. A discussão acerca deste teste incide nos valores de corte
(1,8μg/dL; 3μg/dL; 5μg/dL), acima dos quais se considera a existência de autonomia funcional,
bem como nos diferentes protocolos usados (1mg, 2mg, 8mg). Porém, o teste de supressão com
Dexametasona tem a vantagem de permitir quantificar o grau de hipersecreção autónoma de
cortisol. Têm sido descritas consequências clínicas decorrentes da secreção inapropriada de
cortisol, nos doentes com SCS, nomeadamente a presença de hipertensão arterial (HTA),
obesidade central, diminuição da tolerância à glicose, dislipidemia ou de osteoporose. Pensa-se
que estes doentes possuam um maior risco cardiovascular e que o processo de aterosclerose
seja acelerado pelo hipercortisolismo, apesar de silencioso e em pequeno grau.
Quanto à orientação terapêutica desta patologia, tanto a adrenalectomia como um
seguimento cuidado e regular associado ao tratamento da Síndrome Metabólica, têm sido
sugeridos como opções terapêuticas válidas e a considerar caso a caso.In the last years, the increasing development and use of sophisticated medical imaging
methods has enabled an increase in diagnosis of occasional adrenal masses, defined as Adrenal
Incidentaloma. Consequently and as of today, Subclinical Cushing's Syndrome (SCS) is of
utmost importance and stands out as the most frequent hormonal change associated to Adrenal
Incidentaloma, with a prevalence ranging from 5% to 20%, depending on the study protocol
and the diagnosis’ criteria applied. The main goal of this article is to review the literature on
SCS by addressing its definition, natural history, diagnosis, comorbidities, treatment and
follow-up. SCS is defined as an autonomous hypersecretion of cortisol at low levels and
therefore insufficient to express the typical stigmata of Cushing's syndrome, resulting, however,
in adverse consequences to patients health.
In spite of the changes found in the tests for assessment of the hypothalamic-pituitaryadrenal
axis function, the diagnostic’s criterias for SCS are still very controversial and
debatable, and therefore a gold standard diagnostic protocol is still missing. Within all hormonal
evaluation tests, different studies seem to agree on the Dexamethasone Suppression Test as the
initial screening test. The discussion about this test rather focus on the cut-off values (1.8μg
/dL; 3μg/dL; 5 μg/dL) above which the existence of functional autonomy is considered as well
as on the various protocols used (1mg, 2mg, 8mg). Nevertheless, the dexamethasone
suppression test has the advantage of quantifying the level of autonomous cortisol
hypersecretion.
Clinical consequences of inappropriate cortisol’s secretion, such as blood hypertension,
central obesity, impaired glucose tolerance, dyslipidaemia or osteoporosis, have been described
in patients with SCS. Evidences suggests that these patients have increased cardiovascular risk
and that atherosclerosis process is accelerated by hypercortisolism, although at a clinically
silent and modest level. Regarding the therapeutic management of this disease, adrenalectomy and a careful and regular monitoring associated to treatment of the metabolic syndrome, have
both been suggested as valid therapeutic options to be considered case by case