As dinâmicas da globalização e da etnicidade têm, segundo Hall (1991), transformado
as nossas vidas com a luta das “margens” pela representação. Hall refere-se
particularmente ao contexto pós-colonial britânico, que questionou a identidade
nacional quando os “novos sujeitos”, subalternizados nas principais formas de representação
cultural, reclamaram meios para falar por si mesmos.1
Fruto de uma imigração mais tardia e de uma forma de integração que atirou
os imigrantes laborais para as margens da sociedade, Portugal está hoje a viver o
momento de se confrontar com a sua reconfiguração. Da realidade que até aos anos
90 se manteve quase invisível nos média e nas ciências sociais emergiu a questão
gémea da reconfiguração nacional, que é o confronto dos descendentes com a sua
própria condição. Esta questão dupla tem no centro as representações culturais e
envolve uma forte dimensão política, remetendo para relações de poder. Remete,
nomeadamente, para a distribuição do poder de representar, para as disputas sobre
o sentido simbólico das representações e para o acesso a instâncias de representação
como os média