o interesse da República de Cabo Verde na utiliza9ao da energia renovável
é basicamente económico. O país é muito pobre e todo o custo de energia
pesa profundamente na sua economia nacional,visto nao existirem recursos
de energia "tradicional".
A utiliza~ao da energia renovável para bombagem de água é por isso, de
grande importancia porque reduz a importa~ao de petróleo. Tanto a energia
eólica como a energia solar oferecem grandes possibilidades em Cabo Verde.
O país está sendo atingido pelo pior e mais langa período de seca jamais
experimentado na sua história. Pode-se imaginar os problemas enfrentados
para abastecimento de água a populac~o, abeberamento de animais e irriga- .., , ,,, ,
~ao das poucas areas agrlcolas.
O abastecimento de água potável é extremamente importante neste país, é
apenas para a sobrevivencia da maior parte da sua popula9ao rural (190.000
habitantes), com pouco poder aquisitivo dado a diminuisao da área agrícola
irrigada e a quantidade de gado, nos últimos 15 anos.
Na agricultura irrigada, de momento totalizando apenas 2.000 ha, utilizase
relativamente grande quantidade de combustível, porque 50% consiste em
irrigasao por bombagem. Por esta razao o governo de Cabo Verde estimula
fortemente a utilizasao das energias renováveis.
As actividades neste campo come~aram em 1977 com a cria~ao da Divisao de
Energias Renováveis (DER) dentro do Ministério do Desenvolvimento Rural
(MUR). O governo de Cabo Verde e a PNUD (Projecto PNUD CVI/76/X05 - Demonstrasao
de Energia Nao Convenciorial) puseram fundos a disposi~ao.
Este projecto contribuiu com 3 aerogeradores e um volontário, Sr. Van
Meel, que trabalhou anteriormente no Grupo de Energia Eólica de Eindhoven
e que faz parte do CWD.
Desde o seu início, a Divisao deu prioridade a bombagem de água para o abastecimento
de água potável, o que foi e continua a ser urna necessidade
urgente nas Ilhas de Cabo Verde.
Os Servi~os da Igreja Mundial ofereceram 25 aerobombas Dempster com ventoinha
de 8' de diametro e mais tarde a UNICEF distribuiu 10 Dempsters
de ]4'.
Gradualmente mais organiza90es financiadoras envolveram-se nas actividades
da DER, como por exemplo a ClMADE, FAC, Embaixada An~ricana, Embaixada
do Canadá, ICCO, etc.
O Ministério do Desenvolvimento e Coopera9ao dos Países Baixos (DGIS) encarregou-
se, em 1979, da norneasao do voluntárío da PNUD. Também em 1979 a
USAID envolveu-se. Foi reconhecido e implementado um projecto de energia
renovável (ref. 1). Este projecto comecou em Agosto de 1980. O papel prin
cipal do projecto consistia na aquisiq~o de material e equipamento para urna
nova oficina da DER. Urna das premissas do projecto era que o DGIS
prestaria assistencia él Divisao.
A pedido do DGIS a CWD realizou um estudo sobre a viabilidade de aplica9ao
de aerobombas durante o primeiro semestre de 1980 (ref. 2). O estudo
revelou que 75% das necessidades de água por bombagem em Cabo Verde, pode
ria ser desempenhado pelos moinhos. -
O projecto proposto diz respeito nao apenas a assistencia técnica, mas
também ao financiamento da nova oficina e a aquisi9ao de cerca de 30 moi nhos. Este projecto bilateral entre Cabo Verde e os Países Baixos - Energias
Renováveis", depois da aprova<;ao de Cabo Verde e do DGIS, veia a comecar
no dia 1 de Julho de 1981 e estendeu-se por 3 anos.
O período de 1977 a Julho de 1981 classifica-se agora como a primeira fase
das actividades. Durante este período o CWD contribuiu com a assist€ncia
técnica. O período de Julho de 1981 a Julho de 1984 é classificado
como segunda fase e será relatado neste documento.
O projecto foi executado pela DER. O Director da DER é, desde Fevereiro
de 1983, o Sr. Daniel Livramento, licenciado em Física (Brasil 1982). Outros
funcionários do corpo directivo sao o Sr. David Cardoso (desde Novem
bro de 1983) e muito recentemente, desde Maio de 1984, o Sr. F. Ferreira7
A colaboracao dos Países Baixos para o projecto tem sido efectuada por En
genheiros Consultores do DHV, em nome e como associados do CWD. O Sr. K.Versteegh,
consultor do CWD, comecou a trabalhar para o projecto em 1 de
Julho de 1981 e o Sr. N.Pieterse,~consultordo CWD, em 15 de Setembro de
1981. O Sr. Van Meel deixou o projecto a 1 de Novembro de 1981.
O projecto foi avaliado em Novembro de 1983, por urna missao tripartida
(Cabo Verde, USAID, DGIS) - Ref. 3. As conclusoes desta missao de avaliacao
foram, em geral, positivas e o prolongamento do projecto foi fortemen
te recomendado, com €nfase sobre aprodu~ao local. Entretanto,
a DER e o CWD prepararam urna proposta para a extensao do projecto
por mais 3 anos (Ref. 4). Esta extensao foi aprovada por Cabo Verde
e pelo DGIS.
O Sr. Versteegh foi substituído em Julho de 1984 e o Sr. Pieterse será
substituido em Setembro de 1984 pelos Srs. J.Diepens e H. van der Spek,
respectivamente.
O conteúdo deste relatório é o seguinte:
No capitulo 2 é apresentada urna exposi~ao do trabalho que incluiu um resumo
das actividades realizadas na fase 1.
Nos restantes capítulos descrevem-se as actividades durante a segunda fase.
O relatório divide-se em tr€s partes:
la. Parte (capítulo 3 a 8) refere-se ao trabalho executado:
instalacao, funcionamento e rnanutencao de aerobombas
servi~o~ e materiais distribuidos J
pessoal e organiza9ao
finalidade e sistema económico
revisao da pot€ncia da água bombeada
apoio ao projecto
relatórios
2a. Parte salienta alguns aspectos importantes do projecto:
funcionamento e manuten9ao de aerobombas (Cp. 19)
metodologia de selec~ao de locais (Cp. 10)
alguns estudos dos sistemas de funcionamento (Cp. 1])
elabora~ao de dados do vento (Cp. ]2)
rendirnento das aerobombas utilizadas pela DER (Cp. ]3)
3a. Parte apresenta as conclusoes e recomendações (Cp. 14