As abordagens das sociedades africanas e das transformações sociais que nelas ocorrem
têm sido perturbadas pela alienação a um tipo de análise que, em vez de privilegiar a
compreensão do que realmente acontece, tem-se esforçado em vincular estas mesmas
abordagens a teorias e conceptualizações formalmente reconhecidas, numa teimosa
tentativa de legitimação do que sobre elas teriam escrito as ciências sociais ocidentais ou
outras análises estabelecidas. Neste esforço, são-nos impostas citações fabricadas em
função daquilo que, próximo do objecto de análise, teriam dito os clássicos ou os “mais
autorizados”, sobrecarregando os textos e tornando-os menos inteligíveis aos não
especialistas, criando constrangimentos à própria análise que, em última instância,
assumem a forma de uma camisa-de-forças a um real desenvolvimento do métier de
investigador