Falar de desigualdades sociais é falar de uma distribuição deficiente de acessos a
bens e serviços ou oportunidades, cuja raiz explicativa se encontra nos próprios
mecanismos da sociedade (FERREIRA et al, 1995). A desigualdade é-nos apresentada
na literatura sociológica como uma disparidade, socialmente condicionada, no acesso
aos recursos existentes numa dada sociedade.
Olhando para o espaço social cabo-verdiano deparamos com um país desigual
em que o Índice de Gini2
aumentou de 0,43 em 1989 para 0.59 em 2002 (CABO
VERVE, 2002). A passagem abrupta, em 1991, de um regime marxista-leninista –
centralizador – para um regime liberal ou semiliberal, acarretou profundas modificações
sociais no arquipélago, na medida em que, a partir de uma agenda de reforma
económica orientada pelo Banco Mundial (BM) e pelo Fundo Monetário Internacional
(FMI), organizada em três eixos fundamentais3
, deu-se início a uma reestruturação
económica, que pese embora catapultou o arquipélago para um crescimento económico
acima da média, fez com que a desigualdade na distribuição do rendimento disparasse,
transformando Cabo Verde numa sociedade partida